Graduação
Quantas aulas para faixa azul? Quem decide é o professor
Você sai sabendo que o número de aulas é piso e não regra do esporte, e como montar a sua própria regra com a chamada na mão.

Neste artigo
Quantas aulas para a faixa azul?
Não existe número universal de aulas para a faixa azul: cada academia define o seu. A Alliance Joinville, por exemplo, publica no site o mínimo de 100 aulas, em cerca de 8 a 10 meses, para adulto, e 380 aulas para juvenil. É a regra de uma academia, não do esporte.
Serve de referência, não de padrão. A IBJJF não fala em número de aulas em nenhum artigo do seu sistema de graduação. Confira o site da própria Alliance antes de repetir o número, porque academia muda regra e o que está lá hoje é o que vale.
O problema aparece na sexta-feira, quando o aluno pergunta se falta muito para a azul. Sem regra escrita, você responde "mais um pouco" e ele sai sem saber se são três semanas ou seis meses. Com um número de aulas, mesmo que seja só o piso, ele tem uma resposta concreta e você tem uma regra para apontar.
Existe tempo mínimo de faixa branca na IBJJF?
Não. No documento [General System of Graduation](https://ibjjf.com/graduation-system), versão de junho de 2026, a faixa branca aparece como "sem tempo mínimo" (Art. 3.1.3 I). O tempo até a faixa preta fica a critério do professor, desde que cumpra os mínimos de cada faixa (Art. 3.2.2). Quem decide quando o aluno recebe a azul é você.
O mínimo que a IBJJF exige está em outro lugar: na faixa azul, antes da roxa. Para adulto, são 2 anos de azul (Art. 3.1.3 II), com prazo menor para quem veio das faixas de criança. Não é prazo para chegar na azul.
Esses prazos contam a partir do registro do atleta na IBJJF. Para quem não registra os alunos na federação, valem como referência. Você vai ver por aí prazos como "um a dois anos e meio" para a azul. São o que os blogs repetem, não regra.
A distinção importa porque o aluno leva o que você diz para o grupo do WhatsApp. Se você afirma que "a federação exige" um tempo de faixa branca, o que está no documento diz o contrário. Diga a regra da sua academia como regra da sua academia.
Quanto tempo leva treinando 3 vezes por semana?
É conta, não previsão. Com 3 treinos por semana, 100 aulas são cerca de 33 semanas, algo perto de 8 meses sem nenhuma falta. Faltas, viagem e lesão esticam esse prazo. Por isso o professor conta aula frequentada, não mês no calendário.
Com 2 treinos por semana, as mesmas 100 aulas levam 50 semanas, quase 12 meses. O número de aulas é o mesmo. O que muda é o ritmo do aluno.
Vale mostrar essa conta ao aluno que pergunta "quanto tempo?". Ele entende que o prazo depende do quanto ele aparece no tatame, e você não precisa prometer data nenhuma.
Aulas são piso, não critério: o que mais entra na decisão
O número de aulas é o piso: abaixo dele, nem se discute. Acima dele, o professor olha o que viu no tatame. Ninguém entrega faixa só porque a conta fechou, e nenhuma planilha faz essa leitura por você.
Cada professor pesa isso do seu jeito. O que costuma entrar na conversa:
- A técnica: se o aluno executa o básico com clareza, sem depender de força.
- O comportamento no treino: como ele cuida do parceiro e como lida com o cansaço e com a derrota.
- A constância: se as aulas vieram distribuídas ou concentradas num período.
- O momento do aluno: lesão, fase difícil no trabalho, volta de uma pausa.
Graus da faixa branca: o marco que vem antes da azul
A IBJJF divide a faixa branca em 4 graus (Art. 4.1.2 I), e adotar os graus é decisão do professor até a marrom (Art. 4.1.3). A IBJJF não fixa aulas nem tempo por grau para as faixas até a marrom: isso é escolha da academia. Defina antes, não na véspera do dia de graduação.
O grau é o marco no meio do caminho. Ele acontece bem mais vezes que a troca de faixa e mostra ao aluno que ele está andando.
Para o aluno, a faixa azul fica longe. O grau é a parte da estrada que ele enxerga. Quem ganha um grau a cada tantas aulas sabe que o esforço de agosto foi visto.
Se você ainda não fechou como fazer esse dia, o manual mostra como conduzir o dia de graduação sem improviso.
Como contar as aulas de verdade, sem depender da memória
A resposta está na chamada. Quem anota presença em toda aula tem o número real; quem confia na memória vai no feeling e erra para cima ou para baixo. Caderno e planilha servem, se a chamada for feita sempre. O histórico só vale se estiver completo.
O erro comum é a chamada que falha justamente nas turmas cheias ou nas semanas corridas. Aí o registro vira uma lista com buracos, e o aluno que treinou o mês inteiro aparece com metade das aulas.
Imagine o faixa-preta que gradua de cabeça. Dois alunos da turma das sete entraram na mesma época; ele dá a azul a um e segura o outro. Na porta do tatame, o que ficou de fora pergunta: "Professor, por que ele e eu não?" A resposta que vem é "ele está mais pronto", e os dois sabem que isso não explica nada. Só que a diferença estava no caderno: um tinha a chamada em dia, o outro tinha semanas em branco que o professor nunca somou. Sem o histórico, ele não consegue dizer se segurou por critério ou por esquecimento.
Planilha e caderno funcionam enquanto alguém confere o total. Quando a turma cresce e a chamada falha, a soma de cada aluno vira uma tarde de trabalho: veja quando a planilha deixa de dar conta da chamada. Se o problema é mais amplo que a contagem, o texto sobre como reduzir a desorganização na academia ajuda.
Alguns hábitos que seguram o registro:
- Faça a chamada no mesmo momento em toda aula, de preferência ao fim do treino.
- Registre sempre no mesmo lugar, para não ter um caderno e um grupo de WhatsApp contando coisas diferentes.
- Antes do dia de graduação, confira o total de cada aluno com o que você lembra dele e veja onde os dois não batem.
- Anote a razão de faltas longas (lesão, viagem) quando souber, porque você vai precisar dela na regra.
Como montar a regra da sua academia para a faixa azul
Escreva em uma folha: mínimo de aulas, tempo de treino, graus e a conversa final com o aluno. Deixe o professor com a palavra final. Com a regra combinada, o aluno sabe o que esperar e você não precisa explicar caso a caso.
A folha não precisa ser bonita. Precisa ser a mesma para todos. Quando você abre exceção, ela vira a regra na cabeça dos outros alunos. Se a sua academia faz exame, o detalhe de avaliação está no manual da graduação para organizar exames de faixa.
O que colocar nela:
- O piso de aulas frequentadas para a faixa azul.
- O tempo mínimo de treino, se você usar um.
- Quantos graus a faixa branca leva e o que marca cada um.
- A conversa final: quem participa, o que você observa e que a decisão é sua.
- Como falta longa, lesão e pausa entram na conta.
Faltar treino atrasa a faixa azul?
Se a regra conta aulas frequentadas, a falta atrasa, porque a aula não entra na conta. Lesão e pausa são decisão do professor: uns congelam a contagem, outros consideram o histórico anterior. O importante é decidir antes e dizer igual para todos os alunos.
O caso difícil é o aluno lesionado que continua aparecendo para assistir. Conta ou não conta? Não há resposta certa, há resposta combinada. Escreva na folha da regra e o caso deixa de ser um julgamento a cada vez.
Antes do próximo dia de graduação: o que fechar
Antes do próximo dia de graduação, feche três coisas: o piso de aulas da faixa azul, quantos graus a faixa branca leva e onde a chamada fica registrada. Com o histórico na mão, o critério continua sendo do professor. A Matify mostra o número de aulas de cada aluno; quem decide é você.
Tudo isso vai para a folha da regra. O resto da rotina da academia está no guia de gestão para academias de jiu-jitsu. Feche cada ponto assim:
- Piso: faça a conta para quem treina três vezes por semana e para quem treina duas. Se o prazo da segunda conta assustar, o piso está alto para a sua turma.
- Graus: decida se o grau vem por número de aulas ou por conversa, e conte isso ao aluno no primeiro dia, não no dia da graduação.
- Chamada: escolha quem confere o total de cada aluno na semana anterior, para o buraco aparecer com tempo de corrigir.
Próximo passo
Chegou a hora de graduar e você não lembra quem treinou quanto?
A Matify guarda a chamada de cada aula e mostra o histórico de cada aluno. O critério continua sendo seu. Teste grátis.
FAQ
Quantas aulas de jiu-jitsu preciso ter para ganhar a faixa azul?
Depende da academia. A IBJJF não fixa número de aulas em nenhum artigo do seu sistema de graduação. O único número publicado que citamos é o da Alliance Joinville, 100 aulas para adulto, e serve só de comparação para a regra que você escrever.
Quanto tempo leva para pegar a faixa azul treinando 3 vezes por semana?
Não há prazo fixo, porque o professor conta aula frequentada. Pegue o piso da sua regra e divida pelos treinos semanais do aluno; com 100 aulas a 3 por semana, são cerca de 33 semanas. Mostre a conta, sem prometer data.
Existe tempo mínimo de faixa branca na IBJJF?
Não. O documento "General System of Graduation" da IBJJF (junho de 2026, em https://ibjjf.com/graduation-system) diz "sem tempo mínimo" para a faixa branca (Art. 3.1.3 I), e o tempo de branca até preta fica a critério do professor, desde que cumpra os mínimos de cada faixa (Art. 3.2.2). O mínimo que a federação exige é na faixa azul antes da roxa: 2 anos para adulto (Art. 3.1.3 II). Os prazos contam a partir do registro do atleta na IBJJF.
Quem decide quando o aluno recebe a faixa azul, o professor ou o número de aulas?
O professor. A IBJJF não fixa tempo mínimo de faixa branca (Art. 3.1.3 I) e deixa o tempo até a preta a critério dele (Art. 3.2.2), e o número de aulas é só o piso da regra da academia. A Matify mostra o histórico de presença; o critério continua sendo seu.
Faltar treino atrasa a faixa azul?
Só se a sua regra conta aula frequentada, porque a aula que o aluno não fez não soma. Para lesão e pausa, escreva o que vale antes de o caso aparecer.
Quantos graus tem a faixa branca antes de ir para a azul?
A IBJJF divide a faixa branca em 4 graus (Art. 4.1.2 I), e adotar os graus é decisão do professor até a marrom (Art. 4.1.3). A IBJJF não fixa aulas nem tempo por grau para as faixas até a marrom: isso você define e avisa o aluno antes.